20 de maio de 2011

À(s)




O véu não é mais refúgio do brinquedo.
Frágil,
Insólito,
Quebrado,
Abandonado.

Ergue-se e olha.
Que vê?
Velhas lembranças ao acaso.

Agora são duas.
Vontades,
Ações,
Sonhos,
Sentimentos.

Erguem-se e se olham, são faces insípidas.
Elas se mostram uma à outra.
O véu rasgado torna-se memória.

Bonecas de pano, plástico, porcelana.
Criam asas e voam como Harpias em desespero feridas por flechas.
Flechas, atiradas por mãos humanas.

Queriam alcançar os anjos.
No refúgio, no paraíso.
A morada estagnada.

Se amam e o desolamento não é mais segredo.

Permanecem voando misteriosamente.
Não querem parar.
Pressentem, é hora.

Se apreciam num último instante.

Bonecas?
Agora mulheres, se beijam.
Rutilantes vão embora.

Repartem-se em novos fragmentos.

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