1 de outubro de 2011

Desenha(vive)rei


A (não)vontade de estar comigo as vezes chega como um tiro de canhão antigo através das muralhas de um castelo. É uma (não)vontade total de (des)construir e recomeçar do zero! Que será todo este anseio? A (des)vontade de (des)construir tudo novamente? Já o faço a cada suspiro e acordar. Verdade é que isso não tem jeito, tenho que de fato é respirar comigo mesmo sem pestanejar; sou corpo, sou vida, traço e uma infinidade de eus mesmo às vezes não me suportando. A vontade de desenvolvimento e de viver tudo o que há de sentimento no universo vem devagarzinho como se quisesse de repente em um único grito acontecer como um big bang íntimo. Eu não tenho espaço na alma para mim mesmo, confesso! Talvez seja este o desejo interno de colocar para fora toda a (não)vontade (mal)bendita de me auto finalizar num quadro ou mesmo numa folha reciclada de papel. Sou risco de carvão, escultura de metal com carne. Enxergo agora tudo por dentro primeiro. As pessoas na rua hoje me pareciam mais órgãos levitando e sonhos andando do que qualquer outra coisa. Cito os sonhos e os órgãos, pois não quero ver apenas por dentro do que há na matéria, somos muito, além disso. Desta matéria que apodrece. Vejo a essência e quero (re)descobrir cada ser vivente nestas terras que também caminho. É incrível este processo de devoração da visão e do que de habitual somos doutrinados a observar. A idéia agora é não observar. É comer com os olhos cada fragmento, silhueta de tudo e todos; é engolir todo o espaço ao derredor. Hoje além de ver, comerei, degustarei o mundo. Quero sentir desde a pedra ou mesmo a veia passando com sangue pelo meu olhar e coração. Que isto tudo seja compartimentado e bem guardado na memória, pois espero mesmo no espírito levar toda esta ferocidade de tudo que vejo hoje. Tornam-se às vezes como doença as imagens. Agora desconstruirei recriando todas. 



Não quero mais corações em linhas suaves no papel, quero arranhar com grafite duro seja qual for à superfície e reproduzir a impressão de um verdadeiro coração agora. Desenha(vive)rei.

8 comentários:

  1. Nossa muito bacana...
    Como eu já havia comentado com vc né...continua foda como sempre né. Desculpe pela 'palavra' usada...rsrs

    Mais parabéns mesmo!!

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  2. Ei Bruna! Obrigado pelo comentário, me é muito caro.

    E não se desculpe pela palavra, viva a liberdade de expressão! Afinal você também é ''foda''.

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  3. Não quero mais corações em linhas suaves no papel, quero arranhar com grafite duro seja qual for à superfície e reproduzir a impressão de um verdadeiro coração agora...

    Disse tudo, acho que fiz isso, arranhei Ceú e mundos, revirei meus passados, revivi meus pesadelos, passei por cima dos medos e me entreguei e desde então, hoje já não preciso desenhar corações . Porque meu coração já não me pertence...


    Parabens pelo belo texto...

    Passando pra desejar uma linda noite e um dia radiante amanha beijos meus :*

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  4. Muito obrigado pelos dizeres Márcinha. E é isto mesmo, devemos antes ser fortes guerreiros com agente mesmo; talvez assim alcancemos uma plenitude de alma!

    Para você dias de sorrisos e muitas conquistas!

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  5. Gosto da intesidade com que vc escreve! A veracidade das palavras que vc usa toca la na alma.
    Que vivas entao essa emocao sem rabiscos previos.
    Aproveito para desejar a voce um Feliz dia das criancas, afinal, todos nós andamos de maos dadas com a crianca que fomos um dia!
    Bjs! Sol-risos :)

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  6. Por Paulinha Leite: afinal, todos nós andamos de mãos dadas com a criança que fomos um dia!


    Certíssima!

    Obrigado pelas palavras... Dias bons e de alegrias para você

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  7. Lucas,
    Profunda e intensa sua fome de (re)descobrir, de mudar, de(re)ver. Lucas, um grande abraço!
    Ivana - RESERVA DE EMOÇÕES

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