31 de dezembro de 2011

Lacrimosa - Wolfgang Amadeus Mozart

Lacrimosa
Composição: Wolfgang Amadeus Mozart





Lacrimosa

 

Lacrimosa dies illa,
Qua resurget ex favilla
Judicandus homo reus.

Huic ergo parce, Deus:
Pie Jesu Domine,
Dona eis requiem, Amen.

Lágrimas

 

Aquele dia de lágrimas.
Em que ressurgirá das cinzas
Os culpados para serem julgados.

Portanto, poupe-os, Senhor:
Misericordioso Senhor Jesus,
Dá-lhes a paz, Amém.

tradução: site terra

11 de dezembro de 2011

Relato

lucas repetto



Fogo este que quei(a)ma – necessidade do mundano
É o grito da essência
Destruída
Corrompida

Cigarro-isolamento-droga-cerveja-sexo-falo

Essência mastigada
Pelo mundo de mim – dentro e fora
Essência mundana
Que agora solta à voz

Mais um cigarro, ó senhor!

10 de dezembro de 2011

Molotov - Madame Saatan

Molotov
Madame Saatan
Composição: Sammliz



Eu sinto a solidez de um corpo estranho
Em meus olhos agora
O tempo dispara, suicida personagens em nós
As horas, silêncio, lugar
Pressa pra esquecer de mais nada
Até a nova despedida, palavras distorcidas
Sentindo a rigidez
Alguns pensamentos indo embora
Dúvidas se aproximando
Certezas que chegarão tarde
Talvez escreva o que eu não possa antes de apagar 


Eu brindo à solidão molotov
Lugar que caímos de vez em quando
Sintonia, vinho, por quê deixado em cada linha solta
Um adeus depois
Certeza que sempre haverá sentido algum
Aquelas palavras escondem o que a respiração denuncia
Sentindo a rigidez
Alguns pensamentos indo embora
Dúvidas se aproximando
Certezas que chegarão tarde
Talvez escreva o que eu não possa antes de apagar


Sentindo
A solidez do que é volátil em silêncio 

 Sentindo
 A respiração denunciar


Ironia era espelho, endereço falso
Nossas primeiras fugas
O que a realidade transformou na melhor e pior desculpa
Algum fragmento, alguma forma
O que nunca vivemos, mas que dissemos
Ainda haverá algum tempo?

1 de dezembro de 2011

Lágrimas veladas


Desta vez guardei-as. Queria senti-las voltando para o corpo como um veneno a rasgar os poros de cada parte de minha matéria. Seria como jogar fora um sentimento que ali brotara – eu nem mesmo sabia descrever que sentimento era esse, novamente como em um grito calado segui andando e o mundo tomava-me como sendo meu espírito um vinho seco destes em promoção num supermercado qualquer. Sentia meu espírito misturando-se com estas lágrimas, que como cães voltaram para suas casas em meio a um quintal de terra batida e vermelha. Não consegui suportar e na primeira esquina adquiri aquilo que em tempos remotos queria me matar; tomava-me conta mais uma vez do corpo este algo misterioso. Segui, andei e não lacrimejei – queria entupir-me. Voltaram completamente secas, não as secretei dos ductos do saco lacrimal. Tornaram-se veneno para mim mesmo, lágrimas deliciosas.

Não pestanejei e aos ouvidos trouxe a canção do paraíso, havia pessoas ao derredor, mas de forma alguma conseguia repará-las; apenas sentia aquele veneno tomando conta do meu corpo, irrigando minhas artérias como um bálsamo falso dos deuses indianos. Deuses esses que pela manhã andavam sussurrando poesias em meus ouvidos, fazendo-me sentir parte de um círculo chamado universo. Queimando, ardendo, sendo dilacerado por dentro e ainda sim agradecendo por toda aquela sensação das lágrimas que por escolha decidi guardar. Não mais quis chorar (...) Alimentei-me do meu próprio veneno chamado sentimento-sensibilidade. Quero agora dopar-me antes que chegue meu sono de tudo isto que corrói minha essência. Entregar-me-ei aos poucos, conservando meu coração numa barrica de carvalho junto do mais adocicado e odiado vinho que é vendido numa garrafa de plástico empoeirada (mais uma vez em um supermercado qualquer).

Bêbado do veneno que me fazia bem – sucumbi [do avesso] brotou-me uma força-fraca descomunal, quero perder-me e assim me achar. Velarei minhas lágrimas por dentro e as tornarei um acúmulo do abraço não dado, do não insistentemente falado, da história não entregue, da cerveja não bebida e do cigarro apagado na palma da minha mão (ótima sensação). Estou indo; aos poucos. Mas com prazer, que faz-me gozar por dentro sentindo toda esta parte do meu ser fortalecendo-se, explodindo. Feliz as células que agora cortejam como num circo de lona furada eu mesmo em profundo êxtase de veneno que são as lágrimas veladas.

19 de novembro de 2011

senti(pensa)mentopensa(senti)mentosentipensa(mento)

para Daniela Maura





lucas repetto

Pensar.
Sentimento pensar.
O sentimento como pensar.
Pensando o sentimento.
Não sendo um pensamento.
Sentimentalmente pensativo, pensador, dor do sentimento que pensa.
Pensativando, sentimentando, sentindo, pensa.
Sentimento?




 
Vivemorrend(o)pensa(senti)(r)mento.

12 de novembro de 2011

Desenho, Sem Título, Papel A4 60 kg (120g/m² 210mm x 297mm)
Caneta nanquim e hidrocor.

8 de novembro de 2011

Pintando com a tez

original

editada


Acrílica sobre Papel A4 60 kg (120g/m² 210mm x 297mm) 

Mór

É a necessidade latente n'alma dele em não sentir mais nada, 
Uma gota de bem que seja; um escrúpulo sequer.
Um sorriso, que não mais abre luz ao aparecer,
Pois queria ele de fato chorar, chorar e chorar. Chover!

No véu da lua que outrora foi sua salvação, deita-se.
n'Ela que refletia um olhar nunca mais visto, que o protegia e o fazia ter esperança.
Quis d'Ele novamente sentir as mãos que o afagavam em sonhos constantes.
Esvaindo-se foi sentido os milagres que não mais acreditava.

Feliz é a pomba, que de vestes mundanas ou sagradas voa para quaisquer que sejam os horizontes.
Leve ele pomba! Seja pro terreiro ou para o santuário,
Para rodar e rodar, ganhar uma rosa e aprender a voar.

Faça-o novamente sentir o que neste instante se apaga como luzes quebradas em natais vazios nas árvores da praça da liberdade,
Com tons de vinho que banham (m)(s)eu sangue.
Leve-o e não o deixe dizer adeus.


23 de outubro de 2011


Desenho, Sem Título, Papel A4 (75g/m² 210mm x 297mm) sobre Papel Color Set
Giz de cera e colagem.



20 de outubro de 2011

Um gole de vodka Pierrot?


Em dias frios e de solidão como hoje é de verdade que eu adoraria a companhia do Pierrot para diversos e rápidos goles de vodka gelada. Tenho certeza que suas mímicas não estariam em silêncio assim que ele percebesse a melodia que meu corpo produz em gritos. Seríamos dois eternos amigos desconhecidos. Pierrot e eu. Bêbados, nús rolando pelo chão imundo do centro da cidade. Começasse eu a falar com ele e soltar, declamar, recitar palavras mudas de fato nos entrelinharíamos em mundos de novas páginas de sentimentos e interpretações ingênuas.

Oh! Felicidade.

Brevemente estaríamos em tanta sintonia que eu estaria já pegando sua maquiagem e sua roupa para junto dele travestir a inocência que temos e que por isso tanto sofremos. Correríamos e não haveria mais a maldição de Arlequins e Colombinas. Seríamos nós, preto e branco, pulsantes, lacrimosos e verdejantes pela vida real de nossas almas. 

Ah Pierrot.

Pudesse eu teria sido o panqueique para acompanhar toda sua lunaticidade poética e viva nestes palcos sombrios e que tanto são parecidos com as ruas e corações por onde caminho. Daríamos as mãos e em várias andanças para curar sentimentos destroçados poderíamos juntos ressusci(ma)tar cada parte da gente com diversas e diversos amantes, seríamos ao invés de toda esta comédia injusta; sorrisos maltrapilhos. Mas sorrisos.

Mas você nunca estará aqui Pierrot, para me acompanhar neste gole de vodka gelada que dou em meio a um bar de perversidades.


1 de outubro de 2011

Desenha(vive)rei


A (não)vontade de estar comigo as vezes chega como um tiro de canhão antigo através das muralhas de um castelo. É uma (não)vontade total de (des)construir e recomeçar do zero! Que será todo este anseio? A (des)vontade de (des)construir tudo novamente? Já o faço a cada suspiro e acordar. Verdade é que isso não tem jeito, tenho que de fato é respirar comigo mesmo sem pestanejar; sou corpo, sou vida, traço e uma infinidade de eus mesmo às vezes não me suportando. A vontade de desenvolvimento e de viver tudo o que há de sentimento no universo vem devagarzinho como se quisesse de repente em um único grito acontecer como um big bang íntimo. Eu não tenho espaço na alma para mim mesmo, confesso! Talvez seja este o desejo interno de colocar para fora toda a (não)vontade (mal)bendita de me auto finalizar num quadro ou mesmo numa folha reciclada de papel. Sou risco de carvão, escultura de metal com carne. Enxergo agora tudo por dentro primeiro. As pessoas na rua hoje me pareciam mais órgãos levitando e sonhos andando do que qualquer outra coisa. Cito os sonhos e os órgãos, pois não quero ver apenas por dentro do que há na matéria, somos muito, além disso. Desta matéria que apodrece. Vejo a essência e quero (re)descobrir cada ser vivente nestas terras que também caminho. É incrível este processo de devoração da visão e do que de habitual somos doutrinados a observar. A idéia agora é não observar. É comer com os olhos cada fragmento, silhueta de tudo e todos; é engolir todo o espaço ao derredor. Hoje além de ver, comerei, degustarei o mundo. Quero sentir desde a pedra ou mesmo a veia passando com sangue pelo meu olhar e coração. Que isto tudo seja compartimentado e bem guardado na memória, pois espero mesmo no espírito levar toda esta ferocidade de tudo que vejo hoje. Tornam-se às vezes como doença as imagens. Agora desconstruirei recriando todas. 



Não quero mais corações em linhas suaves no papel, quero arranhar com grafite duro seja qual for à superfície e reproduzir a impressão de um verdadeiro coração agora. Desenha(vive)rei.

Nanquim sobre tela 50x60






30 de setembro de 2011

Corpo em varal


Bem do alto observando vejo o quanto há mais do que apenas pessoas indo e vindo. Há uma imensidão de coisas ao derredor de cada corpo; um(ns) mundo(s), uma(s) visão(ões), um(ns) raciocínio(s), um(ns) gosto(s), um(ns) pensar(mentos) e muita, mas muita energia. Realmente dentro de cada espaço (des)oculpado por cada corpo á mais do que qualquer doutrina revelatória possa falar. Há particularidades e corações. Sim! Eu vejo vários corações em um só corpo, como se cada um deles fosse um anseio reprimido ou decapitado daquele corpo que o tem.

São varais de corpos e corações que se estendem a partir de um único corpo? Talvez. Na verdade sim, pois em volta agora do meu corpo são meus mundos e meus corações. Minha visão! Posso enxergar toda esta imensidão e viagens a meu grosso-suave modo. Mas quem dirá que de outro lugar alguém não possa enxergar como eu? Perguntas; são elas inquietações para desenvolvimento muitas vezes de filosofias que dizem tanto e não sabem nada. Então mais uma pergunta. Os mundos podem se esbarrar entre todos estes (des)compassos?  Com certeza que sim, afinal nestes rumos perdidos de varais de corpos podemos por engano ou não se entrelaçar uns com os outros.

Mas são tantos corpos. Infinitos e em diversas (an)danças e direções. De fato neste momento cortaria minhas mãos; de todos os meus corpos para que cada uma escrevesse um pouco. Sim, falo de mim e dos outros corpos que também sou eu. E tudo no plural, que somos senão uma multiplicidade dentro de nós mesmos. Como dizia um dos vários corpos encontrados pelos caminhos deste trajeto: tudo isso é apenas uma questã.

28 de setembro de 2011

05:30 AM


Levanto-me da cama revestida de lençol roxo e com os travesseiros desgrenhados! O Edredom? Pelo chão em algum lugar. Vou para o banho e é tudo muito maravilhoso durante e após. Minha doce mãe ferve a água para o preparo do café e do quarto vestindo-me ainda com o corpo meio molhado, pois gosto de manter as gotículas de água no corpo, posso ouvir a caneca de alumínio trepidar sobre a trempe do fogão. Que delicia era hora e fui preparar meu pão quente com margarina. Coloco o café na xícara sempre uns minutos antes de tomar que é para dar uma amenizada na quentura. Vou para a sala e para que passe os poucos minutos que me restam antes de aprontar-me definitivamente para o trabalho, ligo a televisão. Gosto de assistir jornais pela manhã. Até então tudo bem, mas logo começam as notícias: mulher e colocada viva na geladeira de necrotério, criança de 3 anos é agredida pelo padrasto, recém nascido é atropelado e morre na hora, vereador e pego em escritório com duas jovens garotas de programa. Nossa, o café começou a entalar na minha garganta e já não descia com a suavidade de sempre. O pão já nem me lembrava. Assistindo a tudo aquilo, foi me batendo uma angústia misturada com tristeza e revolta que logo achei que ia vomitar. Não estava suportando assistir ao noticiário do dia. Meu olho já comtemplava lágrimas. Sim eu sei tragédias acontecem a todo o tempo; assassinatos, violência e tudo aquilo que abomino. Mas hoje em especial parecia eu ter acordado sensível demais. Logo após toda esta amargura que me veio comecei de fato a refletir o papel da mídia na sociedade. Penso que poderia ter ido ao canal de desenhos e ter vindo trabalhar saltitante; mas não. Eu involuntariamente me prendia aos canais que cada vez mais mostravam as tragédias do dia. Queria não ver; mas não conseguia. Penso que o mal propagado pelos meios de informações tende na verdade também incitar o mal no coração das pessoas. Infelizmente são poucos os canais de informação que falam mais de amor, paz e fraternidade do que qualquer outra coisa. Parece que estamos sendo domados e cometer erros para que a mídia sempre tenha notícia de impacto e lucro. Hoje em televisão, jornais, revistas, etc. Apenas sangue jorrando. Quando de verdade será semeada a paz? Eu sou assumidamente do bem e careta. Acredito que se o bem fosse mais levado ao conhecimento da sociedade os corações poderiam se reverter a vontade de ver sorrisos pela rua. Hoje nem mesmo um bom dia é praticado mais, as pessoas estão cada vez mais numa redoma de cristal para se esconderem do mundo, na verdade delas mesmas. Sou daqueles que acredita no ser humano e mais ainda na nossa humanidade. Mas sim, apesar de toda a caretice e crença espiritual fui tomado por revolta e raiva. Meu semblante tenho certeza estava transformado, era inquietação e tristeza. Desliguei a TV e tomei meu rumo. Sai de casa pensando no mundo, em mim, em você. Refugiei-me com o fone de ouvido a passos lentos por uma rua diferente da habitual, onde nela havia mais árvores e uma brisa mais fresca. Precisei sentir o abraço do mundo e sentir meu coração manso novamente. Havia no meio do caminho um velhinho de olhos tão azuis quanto o céu que inesperadamente ergueu as mãos e me cumprimentando desejou-me um bom dia. Nunca tinha visto ele na vida. Voltei a sorrir, e sim agora acredito mais ainda que haja esperança para um mundo regenerado no bem e no amor. É isso, continuarei firme na minha caminhada e estendendo a bandeira da paz e do fraternalismo. Hoje é mais um dia e estou mais forte no que acredito. Trancafiados em um mundo de fantasia por mais que alguém seja do bem e acredite no amor de nada servirá ao mundo se não colocar as teorias, poesias, filosofias e tudo mais em ação. Precisamos disso; pouca teoria e mais ação para que o bem e a paz aconteçam. Eu faço daqui, espero que os outros também saiam das redomas de cristal e pratiquem este bem ao próximo e ao mundo.

23 de setembro de 2011

Falta (!)(?)


Toda falta passou a ser boa, pois começava de fato a completar todas as lacunas de um metal retorcido que bombeava sangue. A falta; mesmo de um sorriso duradouro passou a fazer uma de suas caixas felizes. Pois estas caixas são várias, fragmentam-se a cada sopro ou sussurro de um toque. Mas lembrando; este toque como a falta de um abraço. Jorrava sangue dentro de si, assim como óleo de motor quente daquilo que o levava a um dia sem graça. Mas o que fazer senão levar seus impulsos assim como o ranger dos parafusos em todo o redor. Era isso. Apenas este ranger que por horas o chamava a atenção. A partir daí quis fundir-se. E fundiu! Tudo tornou-se óleo, metal, sangue. Ele? Quente. Era a falta de humanidade que o completava como humano.