20 de maio de 2011

À(s)




O véu não é mais refúgio do brinquedo.
Frágil,
Insólito,
Quebrado,
Abandonado.

Ergue-se e olha.
Que vê?
Velhas lembranças ao acaso.

Agora são duas.
Vontades,
Ações,
Sonhos,
Sentimentos.

Erguem-se e se olham, são faces insípidas.
Elas se mostram uma à outra.
O véu rasgado torna-se memória.

Bonecas de pano, plástico, porcelana.
Criam asas e voam como Harpias em desespero feridas por flechas.
Flechas, atiradas por mãos humanas.

Queriam alcançar os anjos.
No refúgio, no paraíso.
A morada estagnada.

Se amam e o desolamento não é mais segredo.

Permanecem voando misteriosamente.
Não querem parar.
Pressentem, é hora.

Se apreciam num último instante.

Bonecas?
Agora mulheres, se beijam.
Rutilantes vão embora.

Repartem-se em novos fragmentos.

16 de maio de 2011

Ao redor, Ele.



Como podia ser?
Sim era Ele, mas não acreditava.
De uma tamanha imensidão chegando com sua voz em meus ouvidos.
Como sinos que tocam na igreja em noite de quermesse.

Espantado eu olhava para o horizonte.
Eram dezenas de pessoas.
Cada qual em sua sintonia.
Mas ainda espantado não acreditava.

Ele?
Como?
Tão grandioso igual é.
Surgindo para mim de forma tão singela.

Singeleza que causava mudança.
Uma mudança forte de pensamentos e sensações.
Era noite.
Uma luz adentrava meu ser levando meu coração para os céus.

Mas sim, ainda me questionava.
Sendo Ele quem é, porque assim?
De tão simples forma.
Ele falava comigo mesmo através de pessoas.

E estas pessoas como eu.
Ainda buscavam entendimento.
Não importa!
Começava agora a entender a grandiosidade Dele.

Anjos me diziam:
_Enxergue na simplicidade de tudo que te rodeia e Ele lhe falará.

Minha inquietação sumia em meio a lágrimas e sorrisos.
Entendi.
Era Ele.
Ensinando-me que sua grandiosidade encontrava-se nas coisas mais simples.

Ele?
Bem, Ele era Deus.

Deus.

14 de maio de 2011

Havia um lugar

Havia um lugar e era minha mente.
O que se passava lá ninguém sabe.
Certo é que durante a noite avistavam sair dali coisas estranhas.
Muito estranhas!
Coisas coloridas e coisas pretas e brancas.
Nunca ninguém se arriscou a entender o que era.