30 de setembro de 2011

Corpo em varal


Bem do alto observando vejo o quanto há mais do que apenas pessoas indo e vindo. Há uma imensidão de coisas ao derredor de cada corpo; um(ns) mundo(s), uma(s) visão(ões), um(ns) raciocínio(s), um(ns) gosto(s), um(ns) pensar(mentos) e muita, mas muita energia. Realmente dentro de cada espaço (des)oculpado por cada corpo á mais do que qualquer doutrina revelatória possa falar. Há particularidades e corações. Sim! Eu vejo vários corações em um só corpo, como se cada um deles fosse um anseio reprimido ou decapitado daquele corpo que o tem.

São varais de corpos e corações que se estendem a partir de um único corpo? Talvez. Na verdade sim, pois em volta agora do meu corpo são meus mundos e meus corações. Minha visão! Posso enxergar toda esta imensidão e viagens a meu grosso-suave modo. Mas quem dirá que de outro lugar alguém não possa enxergar como eu? Perguntas; são elas inquietações para desenvolvimento muitas vezes de filosofias que dizem tanto e não sabem nada. Então mais uma pergunta. Os mundos podem se esbarrar entre todos estes (des)compassos?  Com certeza que sim, afinal nestes rumos perdidos de varais de corpos podemos por engano ou não se entrelaçar uns com os outros.

Mas são tantos corpos. Infinitos e em diversas (an)danças e direções. De fato neste momento cortaria minhas mãos; de todos os meus corpos para que cada uma escrevesse um pouco. Sim, falo de mim e dos outros corpos que também sou eu. E tudo no plural, que somos senão uma multiplicidade dentro de nós mesmos. Como dizia um dos vários corpos encontrados pelos caminhos deste trajeto: tudo isso é apenas uma questã.

28 de setembro de 2011

05:30 AM


Levanto-me da cama revestida de lençol roxo e com os travesseiros desgrenhados! O Edredom? Pelo chão em algum lugar. Vou para o banho e é tudo muito maravilhoso durante e após. Minha doce mãe ferve a água para o preparo do café e do quarto vestindo-me ainda com o corpo meio molhado, pois gosto de manter as gotículas de água no corpo, posso ouvir a caneca de alumínio trepidar sobre a trempe do fogão. Que delicia era hora e fui preparar meu pão quente com margarina. Coloco o café na xícara sempre uns minutos antes de tomar que é para dar uma amenizada na quentura. Vou para a sala e para que passe os poucos minutos que me restam antes de aprontar-me definitivamente para o trabalho, ligo a televisão. Gosto de assistir jornais pela manhã. Até então tudo bem, mas logo começam as notícias: mulher e colocada viva na geladeira de necrotério, criança de 3 anos é agredida pelo padrasto, recém nascido é atropelado e morre na hora, vereador e pego em escritório com duas jovens garotas de programa. Nossa, o café começou a entalar na minha garganta e já não descia com a suavidade de sempre. O pão já nem me lembrava. Assistindo a tudo aquilo, foi me batendo uma angústia misturada com tristeza e revolta que logo achei que ia vomitar. Não estava suportando assistir ao noticiário do dia. Meu olho já comtemplava lágrimas. Sim eu sei tragédias acontecem a todo o tempo; assassinatos, violência e tudo aquilo que abomino. Mas hoje em especial parecia eu ter acordado sensível demais. Logo após toda esta amargura que me veio comecei de fato a refletir o papel da mídia na sociedade. Penso que poderia ter ido ao canal de desenhos e ter vindo trabalhar saltitante; mas não. Eu involuntariamente me prendia aos canais que cada vez mais mostravam as tragédias do dia. Queria não ver; mas não conseguia. Penso que o mal propagado pelos meios de informações tende na verdade também incitar o mal no coração das pessoas. Infelizmente são poucos os canais de informação que falam mais de amor, paz e fraternidade do que qualquer outra coisa. Parece que estamos sendo domados e cometer erros para que a mídia sempre tenha notícia de impacto e lucro. Hoje em televisão, jornais, revistas, etc. Apenas sangue jorrando. Quando de verdade será semeada a paz? Eu sou assumidamente do bem e careta. Acredito que se o bem fosse mais levado ao conhecimento da sociedade os corações poderiam se reverter a vontade de ver sorrisos pela rua. Hoje nem mesmo um bom dia é praticado mais, as pessoas estão cada vez mais numa redoma de cristal para se esconderem do mundo, na verdade delas mesmas. Sou daqueles que acredita no ser humano e mais ainda na nossa humanidade. Mas sim, apesar de toda a caretice e crença espiritual fui tomado por revolta e raiva. Meu semblante tenho certeza estava transformado, era inquietação e tristeza. Desliguei a TV e tomei meu rumo. Sai de casa pensando no mundo, em mim, em você. Refugiei-me com o fone de ouvido a passos lentos por uma rua diferente da habitual, onde nela havia mais árvores e uma brisa mais fresca. Precisei sentir o abraço do mundo e sentir meu coração manso novamente. Havia no meio do caminho um velhinho de olhos tão azuis quanto o céu que inesperadamente ergueu as mãos e me cumprimentando desejou-me um bom dia. Nunca tinha visto ele na vida. Voltei a sorrir, e sim agora acredito mais ainda que haja esperança para um mundo regenerado no bem e no amor. É isso, continuarei firme na minha caminhada e estendendo a bandeira da paz e do fraternalismo. Hoje é mais um dia e estou mais forte no que acredito. Trancafiados em um mundo de fantasia por mais que alguém seja do bem e acredite no amor de nada servirá ao mundo se não colocar as teorias, poesias, filosofias e tudo mais em ação. Precisamos disso; pouca teoria e mais ação para que o bem e a paz aconteçam. Eu faço daqui, espero que os outros também saiam das redomas de cristal e pratiquem este bem ao próximo e ao mundo.

23 de setembro de 2011

Falta (!)(?)


Toda falta passou a ser boa, pois começava de fato a completar todas as lacunas de um metal retorcido que bombeava sangue. A falta; mesmo de um sorriso duradouro passou a fazer uma de suas caixas felizes. Pois estas caixas são várias, fragmentam-se a cada sopro ou sussurro de um toque. Mas lembrando; este toque como a falta de um abraço. Jorrava sangue dentro de si, assim como óleo de motor quente daquilo que o levava a um dia sem graça. Mas o que fazer senão levar seus impulsos assim como o ranger dos parafusos em todo o redor. Era isso. Apenas este ranger que por horas o chamava a atenção. A partir daí quis fundir-se. E fundiu! Tudo tornou-se óleo, metal, sangue. Ele? Quente. Era a falta de humanidade que o completava como humano.