23 de outubro de 2011


Desenho, Sem Título, Papel A4 (75g/m² 210mm x 297mm) sobre Papel Color Set
Giz de cera e colagem.



20 de outubro de 2011

Um gole de vodka Pierrot?


Em dias frios e de solidão como hoje é de verdade que eu adoraria a companhia do Pierrot para diversos e rápidos goles de vodka gelada. Tenho certeza que suas mímicas não estariam em silêncio assim que ele percebesse a melodia que meu corpo produz em gritos. Seríamos dois eternos amigos desconhecidos. Pierrot e eu. Bêbados, nús rolando pelo chão imundo do centro da cidade. Começasse eu a falar com ele e soltar, declamar, recitar palavras mudas de fato nos entrelinharíamos em mundos de novas páginas de sentimentos e interpretações ingênuas.

Oh! Felicidade.

Brevemente estaríamos em tanta sintonia que eu estaria já pegando sua maquiagem e sua roupa para junto dele travestir a inocência que temos e que por isso tanto sofremos. Correríamos e não haveria mais a maldição de Arlequins e Colombinas. Seríamos nós, preto e branco, pulsantes, lacrimosos e verdejantes pela vida real de nossas almas. 

Ah Pierrot.

Pudesse eu teria sido o panqueique para acompanhar toda sua lunaticidade poética e viva nestes palcos sombrios e que tanto são parecidos com as ruas e corações por onde caminho. Daríamos as mãos e em várias andanças para curar sentimentos destroçados poderíamos juntos ressusci(ma)tar cada parte da gente com diversas e diversos amantes, seríamos ao invés de toda esta comédia injusta; sorrisos maltrapilhos. Mas sorrisos.

Mas você nunca estará aqui Pierrot, para me acompanhar neste gole de vodka gelada que dou em meio a um bar de perversidades.


1 de outubro de 2011

Desenha(vive)rei


A (não)vontade de estar comigo as vezes chega como um tiro de canhão antigo através das muralhas de um castelo. É uma (não)vontade total de (des)construir e recomeçar do zero! Que será todo este anseio? A (des)vontade de (des)construir tudo novamente? Já o faço a cada suspiro e acordar. Verdade é que isso não tem jeito, tenho que de fato é respirar comigo mesmo sem pestanejar; sou corpo, sou vida, traço e uma infinidade de eus mesmo às vezes não me suportando. A vontade de desenvolvimento e de viver tudo o que há de sentimento no universo vem devagarzinho como se quisesse de repente em um único grito acontecer como um big bang íntimo. Eu não tenho espaço na alma para mim mesmo, confesso! Talvez seja este o desejo interno de colocar para fora toda a (não)vontade (mal)bendita de me auto finalizar num quadro ou mesmo numa folha reciclada de papel. Sou risco de carvão, escultura de metal com carne. Enxergo agora tudo por dentro primeiro. As pessoas na rua hoje me pareciam mais órgãos levitando e sonhos andando do que qualquer outra coisa. Cito os sonhos e os órgãos, pois não quero ver apenas por dentro do que há na matéria, somos muito, além disso. Desta matéria que apodrece. Vejo a essência e quero (re)descobrir cada ser vivente nestas terras que também caminho. É incrível este processo de devoração da visão e do que de habitual somos doutrinados a observar. A idéia agora é não observar. É comer com os olhos cada fragmento, silhueta de tudo e todos; é engolir todo o espaço ao derredor. Hoje além de ver, comerei, degustarei o mundo. Quero sentir desde a pedra ou mesmo a veia passando com sangue pelo meu olhar e coração. Que isto tudo seja compartimentado e bem guardado na memória, pois espero mesmo no espírito levar toda esta ferocidade de tudo que vejo hoje. Tornam-se às vezes como doença as imagens. Agora desconstruirei recriando todas. 



Não quero mais corações em linhas suaves no papel, quero arranhar com grafite duro seja qual for à superfície e reproduzir a impressão de um verdadeiro coração agora. Desenha(vive)rei.

Nanquim sobre tela 50x60