30 de janeiro de 2012

Lugares internos

São sinos que ouço ao longe,
de um lugar que se assemelha a m’Alma.
Lá neste lugar bem longe existem nuvens densas,
escuras e chuvosas – e nesse momento eu andava chovendo.

Essas nuvens invernam dentro de mi(n).
E percebendo bem, neste local também se consegue sentir alguns odores;
De lodo, lodo escuro e podre.

Fato é que nesta paisagem se encontra também alguns organismos mortos,
já em decomposição.
Param os sinos e não entendi o por que.
Não havia percebido nem a última badalada para minha alegria.

Talvez seja que estes sinos sejam meus sentimentos.
Minha vida morta morrendo.
Que nada mais há de produzir, nem um gemido ou mesmo uma gozada.

23 de janeiro de 2012

Cova de silêncios

São como pilastras de arame que começam a enferrujar.
Toda esta bondade ao léu, este sentimento sem olhar a quem.
Esta culpa por amar demais.
Hora dessas enferruja por completo tudo isso que me habita desde o nascimento (i)material.

Que dizer/fazer quando a única palavra que se tem da vida é o silêncio?
Talvez seja um caminho seguir com um monte delas. Lágrimas!
Pois estas de fato se deliciam com a face enrugada, cheia de buracos e (im)perfeições.

Lavam a alma?
Não, por vezes não lavam.
Sujam, destroem. 
Fazem com que a carne se amoleça, envermelhe, arranhe, sangre, fique mais frágil e comece a se decompor.

Que dizer ao silêncio então?
Outrora muito era dito – mas diante disso aprende-se também com ela; esta arma letal.
Logo, estarei agora assim, esvaindo em minha cova de silêncios.

(como todos que por via da desumanidade não conseguem salvar a vida com o gesto lindo da pronúncia)



20 de janeiro de 2012

para Bruna dos Anjos



Desenho, Sem Título, Papel A4 60 kg (120g/m² 210mm x 297mm)
Caneta nanquim e hidrocor.

15 de janeiro de 2012

Boa Noite, Amor - Elis Regina

Elis Regina diz:

Bom, eu ouvia a rádio nacional da hora em que eu acordava à hora em que eu dormia, como evidentemente em todas as casas do Brasil e... Até os anos... Sei lá. Que a televisão chegou e que bagunçou com a transação de rádio.

Eu ouvia, eu ouvia o Francisco Alves – ‘’Quando os ponteiros do relógio se encontram e dão as doze badaladas’’, ‘’Boa noite, Amor’’... (Ela canta) A saudade vem chegando. A tristeza me acompanha.

Eu ouvia Marlene, eu ouvia Emilinha, eu ouvia Selma de Alencar, eu ouvia essas coisas que todo mundo ouviu.

(Silêncio, pensamento, saudade, nostalgia, esperança, ensejo do seu próprio desejo)

Eu acho que... Eu... Devo ter sido muito amarrada no ‘’Boa noite, Amor’’ porque depois de um tempo eu acabei até gravando esta música. Eu devo ter sido muito amarrada por que... 

Foi uma coisa que me marcou muito. Entende? O Francisco Alves, porque parava minha casa. Entende? Parava! Todo mundo parava pra ouvir domingo ao meio dia o Francisco Alves. 

O Francisco Alves morreu e meu pai ficou de luto uma semana inteira. Minha mãe ficou desesperada, chorava, parecia que tinha morrido alguém da família. Eu tenho impressão que por estas coisas todas, pra essas alterações todas que causaram na minha cabeça de criança eu tenha ficado tão fixada. Nisso...

Transcrição: lucas repetto

***



Boa noite, Amor
Elis Regina
Composição: Francisco Mattoso e José Maria de Abreu




Boa noite amor
Meu grande amor
Contigo sonharei 


E a minha dor esquecerei
Se eu souber que o sonho teu
Foi o mesmo sonho meu 


Boa noite, amor
E sonhe enfim
Pensando sempre em mim 


Na carícia de um beijo
Que ficou no desejo
Boa noite, meu grande amor.




10 de janeiro de 2012

Belas flores do eu morto




lucas repetto



São de extrema beleza as flores.
Extrema, mesmo!
Porém distantes de mi(n).

Estava a olhá-las indiscriminadamente com o coração doendo,
Batendo (?),
Fadigando em querer buscá-las;
Alcançá-las.

Comecei a impor movimento às pernas.
Não atendiam. O cérebro ardia.
Não havia forças em meu ser.

Sim.
São extremamente belas e não consigo desviar meu olhar.
Quando as terei?
Nunca, faltam-me bem-aventuranças.




7 de janeiro de 2012

Acrílica sobre tela 70x100



Lembro - estava eu no segundo andar dentro de uma sala sozinho e com as luzes apagadas.

6 de janeiro de 2012

Desenho, Sem Título, Papel A4 (75g/m² 210mm x 297mm) sobre Papel Color Set
Caneta nanquim.



Não há propósito. (Será?)
A intenção foi riscar, entortar, sentir, experimentar – desmascarar as mãos!